Ele mesmo (o reino) correndo ignorantemente em seguimento da riqueza imaginária das Minas de ouro, que nos tem arruinado e empobrecido, quando nos pareceu encontrarmos aí toda a nossa fortuna. Alexandre de Gusmão, secretário de D. João V
Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
DO BLOGUE POETAPORKDEUSKER

 

Porque umas vezes “sim” e outras “não”,
E, às vezes, nem nós mesmos percebemos
Porque razão aquilo que fazemos
Parece mesmo ser contradição…
 
Porque, umas vezes, loucos de paixão…
[E bem depressa nós compreendemos
Ser mais um erro que então cometemos
E voltamos a nós e à razão…]
 
Porque, outras vezes, frios e racionais,
Passamos, num instante, ao desatino
E não sabemos mais o que fazer,
 
Nós, meros e comuns anjos mortais,
Acreditando, enfim, no tal destino
E deixando outro acaso acontecer…
 

sinto-me:
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publicado por artesaoocioso às 23:51
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DO BLOGUE ENTRE TEJO E ODIANA

RASTO DE LUZ

 

 



publicado por artesaoocioso às 23:45
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PORQUE FALHAMOS SEMPRE?

 

 
 
(Van Gogh O Bom Samaritano)
 
A natureza gerou poucos animais isolados que convivem apenas para reproduzir e regressam à sua vida solitária. A regra é o grupo, com comportamentos de grupo que garantem a sobrevivência individual e da espécie.
Indivíduo e grupo interagem para que a espécie se mantenha, sobreviva. Filogenia e ontogenia estão indissociavelmente associadas. A Biologia e outras ciências estudam as complexas relações entre as duas faces de cada espécie, a forma como evoluem ou perecem.
A humanidade não foge à regra. O homem é, e sempre foi, um animal gregário, isolado morre. Sendo esta a sua natureza – a que não pode fugir – e sendo também o único animal com consciência de si próprio e do mundo, é paradoxal que até hoje não tenha aprendido a organizar-se socialmente para viver em paz.
Pelo contrário, está cada vez mais longe desse bem comum, dessa necessidade básica. Rodeado de ciência e de tecnologia – progresso, dizem alguns – está cada vez mais solitário, contra natura.
O liberalismo falha redondamente ao defender a liberdade do homem sem a sua dimensão social.

sinto-me:
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publicado por artesaoocioso às 17:09
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A BOMBA ATÓMICA ?

 

 
“O PROCESSO chamado ‘Face Oculta’ tem as suas raízes longínquas num fenómeno que podemos designar por ‘deslumbramento’.
Muitos dos envolvidos no caso, a começar por Armando Vara, são pessoas nascidas na Província que vieram para Lisboa, ascenderam a cargos políticos de relevo e se deslumbraram.
Deslumbraram-se, para começar, com o poder em si próprio.
Com o facto de mandarem, com os cargos que podiam distribuir pelos amigos, com a subserviência de muitos subordinados, com as mordomias, com os carros pretos de luxo, com os chauffeurs, com os salões, com os novos conhecimentos.
Deslumbraram-se, depois, com a cidade.
Com a dimensão da cidade, com o luxo da cidade, com as luzes da cidade, com os divertimentos da cidade, com as mulheres da cidade.
ORA, para homens que até aí tinham vivido sempre na Província, que até aí tinham uma existência obscura, limitada, ligados às estruturas partidárias locais, este salto simultâneo para o poder político e para a cidade representou um cocktail explosivo.
As suas vidas mudaram por completo.
Para eles, tudo era novo – tudo era deslumbrante.
Era verdadeiramente um conto de fadas – só que aqui o príncipe encantado não era um jovem vestido de cetim mas o poder e aquilo que ele proporcionava.
Não é difícil perceber que quem viveu esse sonho se tenha deixado perturbar.
CURIOSAMENTE, várias pessoas ligadas a este processo ‘Face Oculta’ (e também ao ‘caso Freeport’) entraram na política pela mão de António Guterres, integrando os seus Governos.
Armando Vara começou por ser secretário de Estado da Administração Interna, José Sócrates foi secretário de Estado do Ambiente, José Penedos foi secretário de Estado da Defesa e da Energia, Rui Gonçalves foi secretário de Estado do Ambiente.
Todos eles tiveram um percurso idêntico.
E alguns, como Vara e Sócrates, pareciam irmãos siameses.
Naturais de Trás-os-Montes, vieram para o poder em Lisboa,inscreveram-se na universidade, licenciaram-se, frequentaram mestrados.
Sentindo-se talvez estranhos na capital, procuraram o reconhecimento da instituição universitária como uma forma de afirmação pessoal e de legitimação do estatuto.
A QUESTÃO que agora se põe é a seguinte: por que razão estas pessoas apareceram todas na política ao mais alto nível pela mão de António Guterres?
A explicação pode estar na mudança de agulha que Guterres levou a cabo no Partido Socialista.
Guterres queria um PS menos ideológico, um PS mais pragmático, mais terra-a-terra.
Ora estes homens tinham essas qualidades: eram despachados, pragmáticos, activos, desenrascados.
E isso proporcionou-lhes uma ascensão constante nos meandros do poder.
Só que, a par dessas inegáveis qualidades, tinham também defeitos.
Alguns eram atrevidos em excesso.
E esse atrevimento foi potenciado pelo tal deslumbramento da cidade e pela ascensão meteórica.
QUANDO o PS perdeu o poder, estes homens ficaram momentaneamente desocupados.
Mas, quando o recuperaram, quiseram ocupá-lo a sério.
Montaram uma rede para tomar o Estado.
José Sócrates ficou no topo, como primeiro-ministro, Armando Vara tornou-se o homem forte do banco do Estado – a CGD –, com ligação directa ao primeiro-ministro, José Penedos tornou-se presidente da Rede Eléctrica Nacional, etc.
Ou seja, alguns secretários de Estado do tempo de Guterres, aqueles homens vindos da Província e deslumbrados com Lisboa, eram agora senhores do país.
MAS, para isso ser efectivo, perceberam que havia uma questão decisiva: o controlo da comunicação social.
Obstinaram-se, assim, nessa cruzada.
A RTP não constituía preocupação, pois sendo dependente do Governo nunca se portaria muito mal.
Os privados acabaram por ser as primeiras vítimas.
O Diário Económico, que estava fora de controlo e era consumido pelas elites, mudou de mãos e foi domesticado.
 
O SOL foi objecto de chantagem e de uma tentativa de estrangulamento através do BCP (liderado em boa parte por Armando Vara).
 
A TVI, depois de uma tentativa falhada de compra por parte da PT, foi objecto de uma ‘OPA’, que determinou a saída de José Eduardo Moniz e o afastamento dos ecrãs de Manuela Moura Guedes.
O director do Público foi atacado em público por Sócrates – e, apesar da tão propalada independência do patrão Belmiro de Azevedo, acabou por ser substituído.
A Controlinvest, de Joaquim Oliveira (que detém o JN, o DN, o 24 Horas, a TSF) está financeiramente dependente do BCP, que por sua vez depende do Governo.
SUCEDE que, na sua ascensão política, social e económica, no seu deslumbramento, algumas destas pessoas de quem temos vindo a falar foram deixando rabos de palha.
É quase inevitável que assim aconteça.
O caso da Universidade Independente, o Freeport, agora o ‘Face Oculta’, são exemplos disso – e exemplos importantes da rede de interesses que foi sendo montada para preservar o poder, obter financiamentos partidários e promover a ascensão social e o enriquecimento de alguns dos seus membros.
É isso que agora a Justiça está a tentar desmontar: essa rede de interesses criada por esse grupo em que se incluem vários boys de Guterres.
Consegui-lo-á?
Não deixa de ser triste, entretanto, ver como está a acabar esta história para alguns senhores que um dia se deslumbraram com a grande cidade.”
 
José António Saraiva, Semanário Sol
 

sinto-me: com os cabelos em pé

publicado por artesaoocioso às 17:05
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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
A CASA DE DEUS

 

A avaliar pelo local de nascimento é pouco provável que Cristo, ou o Pai, desejassem ser evocados na maior parte das igrejas Católicas e também não devem ter percebido a talha dourada com que nós enchemos os altares.
O padre da paróquia de S. Francisco Xavier quer construir uma nova igreja-caravela com paredes douradas, laranja, verde e vermelho, com a forma de uma caravela.
Segundo o padre o projecto de arquitectura baseia-se na vida do apóstolo do Oriente, S. Francisco Xavier e na aventura portuguesa dos Descobrimentos.
O projecto é de autoria de Troufa Real que confessa: “gosto de ideias que se aproximam do limiar entre o kitsch e o piroso”, objectivo atingido com este projecto.
A construção da igreja inclui uma estrutura metálica, revestida por um casco dourado, e o empreiteiro acha que será necessário recorrer a uma empresa da indústria de construção naval.
As infra-estruturas desta Casa de Deus estão avaliadas em um milhão de euros e o resto da obra ninguém sabe quanto custará: uma obra sem orçamento definido, porque a fé do padre é grande.
Considero que o Cardeal Patriarca de Lisboa é um homem culto, moderado e um bom cristão e,  não me consta que tenha perdido a lucidez.
Se o padre de S. Francisco Xavier gosta de esbanjar o dinheiro alheio na satisfação dos seus caprichos e não tem pobres na sua paróquia, deverá ser transferido para a Cova da Moura ou outro bairro semelhante. O mínimo que o Cardeal pode fazer é por termo aquela imoralidade que desprestigia a Igreja e ofende os homens.  
 

sinto-me: revoltado
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publicado por artesaoocioso às 23:19
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O FUTURO DOS MEUS NETOS

 

Não sou capaz de imaginar a quantidade de maravilhas tecnológicas que surgirão no próximo ano, mas sei que daqui a vinte anos não haverá comida que chegue para todos, que irá haver falta de água e que a poluição triplicará.
Sei que haverá, também, três ou quatro vezes mais armamento em todo o mundo. Não é esta a herança que eu queria deixar-lhes mas é isso que irão ter.

sinto-me:
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publicado por artesaoocioso às 22:22
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2009
A "ERA DE SÓCRATES

 

“O país inteiro, da tasca à faculdade, questiona-se: "José Sócrates é corrupto?". Sobre essa hipotética corrupção de Sócrates, não tenho nada a dizer. Isso é com o Ministério Público (MP). O que interessa em Sócrates não é o seu - hipotético - percurso como corrupto, mas sim o seu trajecto como primeiro-ministro (PM). E esse trajecto, meus amigos, é marcado por um enorme desrespeito pelas regras de uma sociedade livre. Sócrates não sabe governar dentro das regras institucionais da liberdade. Por sistema, Sócrates ataca jornalistas e desrespeita instituições (ex.: Tribunal Constitucional). Este 'Face Oculta' é apenas o último caso de uma lista que já vai longa. A 'era Sócrates' destruiu aquilo que restava da qualidade institucional da III República.
Seja qual for o destino jurídico das famosas escutas, existem ilações políticas a retirar do 'Face Oculta'. Estamos a falar de política, e não de uma aula de direito técnico na Independente. As escutas podem ser anuladas juridicamente, mas existe uma questão que só pode ser respondida politicamente: o PM falou, ou não, com Armando Vara sobre o grupo de media do 'amigo Joaquim'? A oposição, no parlamento, deve questionar o PM sobre esta matéria. Mais: esta questão deve ser investigada pelo MP. Porque isto, a tal democracia, tem de ser transparente, meus amigos. Nós, os cidadãos otários, exigimos saber a natureza das ligações entre Sócrates, Vara e o 'amigo Joaquim', o dono do jornal que lançou o caso que mais ajudou a campanha eleitoral de Sócrates. É importante saber quais são as ligações entre o governo e alguns grupos de media (já agora, era bom saber o que se passou entre a PT e a Ongoing). É também importante saber se a banca portuguesa é, ou não, manipulável pelo partido do poder. O MP deveria investigar tudo isto, porque seria bom verificarmos se Portugal é uma democracia, ou se, na verdade, é um pântano onde políticos e banqueiros-que-foram-políticos tudo controlam nas costas de toda a gente.
Meus amigos, esta dúvida marcial precisa de uma resposta clara: Portugal é uma democracia ou é uma sociedade onde bancos e jornais são controlados pelo partido do poder? Eu, sinceramente, até gostava que o 'Face Oculta' fosse mais uma peça da campanha negra que forças ocultas lançaram sobre Sócrates. Mas, não vá o diabo tecê-las, o MP tem de tirar isso a limpo. E, enquanto espero (sentado) pelo MP, tenho a dizer que irei festejar o dia em que Sócrates cair do poder. Festejarei esse dia com uma alegria límpida e incontida. Nesse dia, a nossa democracia respirará melhor, apesar do deserto institucional que teremos pela frente. Esse deserto, meus amigos, será o ponto de partida da necessária refundação.”
 
 
Henrique Raposo, Expresso de 14 de Novembro.
 

sinto-me:

publicado por artesaoocioso às 22:15
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
TODOS BONS RAPAZES 2

 

Ando com falta de paciência para aturar este país (o país também não me liga) de forma que o melhor é não me ralar.
Sócrates até nem é mau rapaz apenas tem o azar de ter amigos pouco recomendáveis: com alguns nem sequer tomaria um café, quanto mais almoçar.
Acontece que com estas amizades pode acontecer-lhe algum azar. Agora ninguém se atreve a pedir eleições antecipadas mas vai ter de governar com a asa ferida.
Por mais de uma vez afirmei que Portugal é um país esquisito e tenho matutado nisto. Finalmente, cheguei a uma conclusão, Portugal é um país promiscuo.
Governantes, autarcas, administradores das grandes empresas, juízes, magistrados, jornalistas, etc., tudo misturado, como muito futebol para disfarçar. A separação de poderes entre órgãos de soberania é uma miragem, a independência dos tribunais outra.
Antes de começar a pimenta, o gengibre e o ouro de Bruxelas as coisas já não corriam bem, depois da torneira aberta foi um fartar vilanagem.
Quando os tribunais estavam ocupados com o furto de esticão, o homicídio por causa das partilhas do minifúndio ou por razões sentimentais e outras minudências tínhamos a sensação de que havia justiça, embora lenta.
Quando a sociedade mudou e começaram a aparecer os sacos azuis, as malas pretas, os senhores de colarinho branco, as fortunas rápidas, as vigarices dos bancos, aí tudo passou a fiar mais fino.
Os megaprocessos começam – apenas aqueles que começam – e o labirinto da Justiça não tem fim: fugas de informação, recursos, magistrados que dizem sim, magistrados que dizem não, as leis são relativas ou, pior, obscuras, tudo é confuso e acaba arquivado ou a prescrever.
O cidadão comum, como eu, fica baralhado, confuso e chega a uma conclusão: há a justiça do pobre e a justiça do rico e cara como certas damas que recebem cavalheiros em apartamento de luxo.

sinto-me:

publicado por artesaoocioso às 20:16
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Domingo, 15 de Novembro de 2009
TODOS BONS RAPAZES

 

Este post também poderia ter como título “Não há rapazes maus”… ou parece não haver.
Artesão possui uma fonte de informação junto do Ministério Público. A minha fonte secreta (também tenho direito a ter segredos) revelou-me o conteúdo das escutas telefónicas a Armando Vara.
José Sócrates e Armando Vara são amigos de longa data, camaradas de partidos, e juntos passaram grandes serões a queimarem as pestanas nos livros da Independente.
Vara e Sócrates têm um amigo comum, o Joaquim, homem discretíssimo, quase clandestino, que fez enorme e instantânea fortuna com os negócios do futebol e, hoje, é dono legítimo – garanto eu – de vários órgãos da comunicação social (por mero acaso Sócrates gosta muito de ler um deles).
E chegados aqui, as pontas começam a juntar-se: Vara e Sócrates conversavam sobre a crise… do Sporting, sobre a contribuição do F. C. do Porto para o PIB, sobre a TVI, etc. Conversas de amigos!
A minha fonte também me garantiu que, uma variante da gripe A, que produz alucinações, contaminou o Ministério Publico de Aveiro e um magistrado imaginou:
 
"Suspeitas da prática de atentado contra o Estado de Direito, punido pela lei 34/87, que legisla sobre os crimes de responsabilidade dos titulares dos cargos públicos, foi a fundamentação usada pelo Ministério Público de Aveiro para extrair duas certidões visando o primeiro-ministro, José Sócrates. Aquele diploma legal foi ainda articulado com o artigo 38º, número 4, da Constituição, para fundamentar as suspeitas de manipulação dos órgãos de Comunicação ."
 
Todos sabemos que Sócrates nunca manipulou órgãos da comunicação social, nem tal lhe passou pela cabeça; ele até gostava do programa da Manuela Moura Guedes.
Afinal, a guerrilha entre o Supremo Tribunal de Justiça e o Ministério público não passa de uma tempestade num copo de água. Tudo vai voltar à calma habitual.
 

sinto-me: com copos a mais

publicado por artesaoocioso às 23:49
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Sábado, 14 de Novembro de 2009
UM TIRO NO PORTA AVIÕES

  

Face Oculta
Supremo anulou escutas onde o DIAP viu indícios de crime de atentado ao Estado de Direito (SIC)

 

 
O procurador-geral da República revelou hoje em comunicado que, "até ao fim da próxima semana", proferirá uma decisão sobre as escutas telefónicas da investigação Face Oculta, consideradas nulas pelo Supremo Tribunal de Justiça.
Supremo remete para PGR explicações sobre escutas (SIC)
 
 
P.S.
Com este pingue-pongue eu, se fosse primeiro-ministro, pedia a publicação das escutas. A minha avó, que Deus tem, ensinou-me "que quem não deve não teme"
Será verdade ou a velhota estava enganada?

sinto-me: com vontade de rir e chorar

publicado por artesaoocioso às 23:59
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E SOCRATES NÃO RESPONDEU...

Pergunta do Semanário Expresso: " Está o senhor primeiro-ministro em condições de tranquilizar os portugueses, garantindo, em consciência, que as suas conversas com o dr. Armando Vara não contêm qualquer indício que possa configurar um ílicito criminal?"

Sócrates não respondeu e, quer a pergunta quer a resposta,  não violam o segredo de justiça.

O problema é político não é judicial e Sócrates não tem forma de o evitar. Ou dá uma resposta política ao processo "Face Oculta", ou politicamente as dúvidas sobre a sua conduta aumentam, independentemente do desfecho do processo em tribunal.

Se Sócrates, o seu núcleo duro e os seus assessores não percebem isto então estamos pior do que pensamos.


sinto-me:

publicado por artesaoocioso às 13:41
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
DESNORTE NO GOVERNO?

 

 
Já afirmei mais de uma vez que Portugal é um país esquisito e não tenho a mínima satisfação em concluir que é cada vez mais esquisito, começa a ser um caso patológico.
O caso “Face Oculta”, que está para lavar e durar, parece que começa a causar desnorte no governo. Em voz branda, quase celestial, o ministro da economia fala de espionagem sobre o primeiro-ministro e, hoje, Sócrates dispara forte sobre o Procurador-Geral e navega em águas parecidas; não esclareceu nada, exigiu esclarecimentos e falou numa coisa chamada Estado de direito.
Como alguém já disse (Paula Teixeira Pinto), os relatórios do Tribunal de Contas sobre empreitadas públicas onde o Estado é burlado em centenas de milhões de euros, pelas empresas do regime, deixa o processo Face Oculta a milhas de distância e José Sócrates nem pestanejou nem se lembrou que o Estado de Direito é constantemente assaltado.
Verdade seja dita, a comunicação social também não se incomoda que o Estado seja assaltado e praticamente não liga importância ao Tribunal de Contas: critérios.
Fica claro que o processo “Face Oculta” trata de negócios de um sucateiro que parece ter uma agenda de contactos importante. O  que o transforma numa vedeta na comunicação social são as ligações perigosas de sucateiros com políticos.
É uma novidade e transformou-se num caso político grave, mas o grosso da corrupção está noutro lado. Quanto a Sócrates continua a acumular histórias mal contadas e tem amigos que não são de recomendar.
O Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, com o seu ar de ave agoirenta, também disfarça mal o seu ódio de estimação a Pinto Monteiro e à Procuradoria-Geral da República; até quer transformá-la numa repartição burocrática.  
Tudo indica que vamos ter um inverno quente.
 
P.S.
Como habitualmente, a Maçonaria está calada...

sinto-me:

publicado por artesaoocioso às 23:30
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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
COM PRÉ-AVISO

Face Oculta: Escuta a Vara e Sócrates cria "dilema" ao PGR porque norma está "mal redigida" - jurista

11 de Novembro de 2009
 

 

Porto, 11 Nov (Lusa)

O jurista Luís Filipe Carvalho disse hoje que o procurador-geral da República (PGR) enfrenta um "dilema" no caso das escutas envolvendo Armando Vara e José Sócrates, acrescentando que a opção "mais cómoda" será dá-las como nulas.

"A situação mais cómoda para o PGR seria declarar que a escuta não tinha seguido o procedimento que literalmente a lei obriga. E, nesse caso, não deve ser atendida", não podendo ser utilizada "quer no processo Face Oculta, quer num eventual novo processo movido contra outra pessoa que esteja do lado de lá da escuta", afirmou o advogado à agência Lusa.

"Essa situação é a mais cómoda porque não suscita uma situação de insegurança e de discussão jurídica", acrescentou.

 

P.S.

Qualquer político diz que nenhum cidadão está acima da lei.

Qualquer cidadão  percebe que, afinal, não é assim. 

A lei preve, cautelosamente, que alguns cidadãos só podem ser escutados com aviso prévio. 


sinto-me:
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publicado por artesaoocioso às 22:51
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TERRORISMO VIRTUAL DE ESTADO

 

 
O título da notícia é “Assassinos cirúrgicos por controlo remoto” (Expresso de 7 de Novembro) e refere-se ao uso de aviões não tripulados – drone -, na gíria do Pentágono, que os EUA estão a usar nas guerras do Iraque e do Afeganistão-Paquistão.
Os EUA têm dois programas de ataques com drone (aviões de controlo remoto, sem pilotos); um «oficial» a cargo do Pentágono outro clandestino a cargo da CIA, que escolhe os alvos em qualquer parte do mundo.
A administração Obama, em cerca de nove meses, realizou tantos ataques com drones como a administração Bush em três anos! A notícia não esclarece quem dá a ordem para carregar no botão e muitos menos quantos civis já morreram nestes ataques  terrorista, ditos «cirirgicos», contra terroristas. Apenas sabemos que se trata de terrorismo de Estado contra grupos de terroristas.
O governo do Paquistão já protestou contra esta violação das suas fronteiras.
Quer se trate de um míssil lançado de um porta-aviões, de um submarino ou de um F16, os drones são mais uma escalada nas técnicas electrónicas de guerra que violam qualquer vestígio que ainda possa existir do direito internacional.
Este terrorismo de Estado, que não está ao alcance do mais perigoso grupo terrorista do mundo, transforma o massacre de populações num jogo de computador onde o software faz todos os cálculos faltando apenas carregar no botão.
O homem que carrega no botão é substituído por outro homem e vai, tranquilamente para casa, jantar com a mulher e os filhos: nem sequer sujou os sapatos.
Não sabemos sequer quantos milhares de iraquianos morreram e quantos ficaram feridos com a invasão do Iraque. Cem mil? Duzentos mil? De caminho foi aberta a porta à violência interétnica que também já fez milhares de mortos.
Em oito anos de guerra no Afeganistão (agora também no norte do Paquistão) quantos milhares de Afegãos já morreram com os ataques «cirúrgicos»?. O Afeganistão é o país do mundo com mais refugiados de guerra, mais de dois milhões, e já não possui Estado.
É como se fosse um jogo virtual onde não se vê o sangue das vítimas nem as destruições ao contrário do que acontece com os ataques terroristas a mercados, hotéis, etc. A noção de responsabilidade e a consciência moral não aparecem no ecrã do computador nem na cabeça dos utilizadores, neste caso militares pagos com o dinheiro dos contribuintes.
Não existe pior forma de terrorismo, nem mais perigosa, nem mais devastadora. Nenhum grupo terrorista, por mais perigoso que seja, dispõe da milésima parte dos meios de destruição de que dispõem os Estados modernos.
A 11 de Novembro de 1918 terminou a I Guerra Mundial com um balanço de cerca de 9 milhões de soldados mortos, cerca de 21 milhões feridos e cerca de 5 milhões de civis mortos (o grito “NUNCA MAIS”! foi rapidamente esquecido).
 
 Foi o primeiro holocausto da Humanidade – outros vieram depois - praticado no civilizado Ocidente, quase exclusivamente na Europa. Os mesmos líderes que fizeram a guerra impuseram o tratado de Versalhes, uma humilhação ao povo alemão que abriu o caminho para a ascensão de Hitler e da II Guerra Mundial.
Em África, os senhores da guerra, matam aos milhões. Para citar apenas um caso, a guerra civil no Congo já é designada «a guerra mundial do Congo».
“ O Homem é uma corda esticada entre o animal e o super-homem – uma corda sobre um abismo”, Friedriche Nietzsche, “Assim Falava Zaratustra”.

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Terça-feira, 10 de Novembro de 2009
O SEGREDO DA ABELHA...

 

 

 

“Noronha Nascimento
PGR é que deve pronunciar-se sobre escutas a Sócrates
Eudora Ribeiro">(Diário Económico, Eudora Ribeiro
  
10/11/09
  
O presidente do Supremo Tribunal de Justiça não comenta as notícias que dão conta que as escutas a Sócrates foram consideradas nulas e diz que deve ser Pinto Monteiro a pronunciar-se.
"Não sou eu, que estou sujeito ao Segredo de Justiça, que vai agora dizer o que se passou ou não se passou. A pergunta deve ser feita ao Sr. Procurador-Geral", afirmou.
"Penso eu, pela conversa que tivemos hoje de manhã, que ele também não irá dizer enquanto não chegarem os elementos importantes que ele pediu e que, curiosamente, vieram sem aquilo que era necessário", referiu ainda Noronha Nascimento.
Segundo avançou o "Expresso", o Supremo Tribunal considerou que as escutas ao primeiro-ministro são nulas por não terem sido autorizadas previamente por uma instância superior. Destas escutas consta uma conversa entre José Sócrates e Armando Vara, vice-presidente do BCP que é arguido no processo "Face Oculta".”
 
 
P.S.
Com este passe de bola o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça ultrapassou as melhores jogadas de Cristiano Ronaldo.
O «segredo da abelha» é sempre uma formalidade que não foi cumprida, nunca o conteúdo do acto. Pensamos que vivemos num Estado de Direito mas na verdade vivemos na caverna de Platão: só vemos sombras.
 

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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
O MURO DO HORROR CAÍU

 

 

A queda do muro de Berlim foi o principio do fim, do fim de uma das mais horríveis ditaduras da Humanidade.

A ditadura do proletariado, contra o proletariado e todos os outros, em nome do socialismo. Foi esta mentira que iludiu milhões de homens e mulheres em todo o mundo.

É tão fácil o Homem e a Mulher iludirem-se! Ainda há mais muros para caírem pelo mundo fora: Israel e Estados Unidos para lembrar só dois.


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Domingo, 8 de Novembro de 2009
OS ÁRABES

 

 The Expansion of the Muslim Empire under Muhammad and the Four Rashidun Caliphs

          

Casa da Sabedoria, uma agradável surpresa (aqui)


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AS VARAS

 

 
D. Dinis mandou pantar o pinhal de Leiria. Como na sua época o padrão era guerrear e pilhar terras e bens, pode ser considerado um rei com visão de Estado, um estadista.
A nossa Terceira República planta varas. Os locais desta cultura são as sedes dos partidos, as suas distritais e concelhias, as «Jotas», etc.
Por regra, uma vara possui um currículo académico medíocre ou duvidoso e um currículo profissional para o vazio: começam cedo a crescer na política, salvo as devidas e honrosas excepções.
O seu modo de vida é trepar na hierarquia do partido, através de grupos clientelares e a sua profissão é manter-se dentro do «Triangulo das Bermudas»: partido, governo, cadeira na administração das grandes empresas do regime.
Constituem a nomenclatura oligárquica dos partidos a nível nacional e concelhio.
As formas de articulação com os negócios privados são várias: concursos públicos (do Estado ou das Autarquias), concessões, adjudicações directas sem concurso, parcerias público privado, tráfico de influências, etc., etc.
Grosso modo, é o pântano que assustou Guterres e que, desde então, continua a alastrar.
Encontram-se protegidos por um sistema jurídico labiríntico, regido em linguagem codificada, para ser entendida só por escritórios de «grandes» advogados e empresas de consultadoria (dois sectores que continuam a prosperar com crise ou sem crise).
Cada lei diz uma coisa e possui uma cláusula ou parágrafo de quis o seu contrário. Por motivos que desconheço chamam o isto Estado de Direito.
Os processos «Operação Furacão» e «Face Oculta», entre muitos outros, mostram-nos a ponta do icebergue da nossa economia, que almas bem-intencionadas reclamam que cresça, ou seja que aconteça um milagre.
Ainda não chegamos à etapa do ajuste de contas e do tiro na nuca mas essa é a evolução natural do «sistema». É apenas uma questão de tempo.
 

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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
O AMIGO DA LAVOURA

 

 
Ao merecido título de Paulinho das Ferias, Paulo Portas acumula o de Amigo dos Agricultores.
Nas sucessivas campanhas eleitorais deste ano, Paulo Portas não se cansou de lutar – televisivamente – em defesa dos agricultores (deixou cair os lavradores).
Coerentemente, reivindicou na nova Assembleia que fosse criada uma comissão para os assuntos da agricultura. Reivindicou e conseguiu: foi criada a comissão parlamentar para a agricultura.
Também, coerentemente, Paulo Portas não quis a presidência da nova comissão e tem razão.
Sujar as botas no campo é uma chatice e agora que pode haver namoro com o governo é de bom-tom ter os sapatos bem engraxados e polidos.

sinto-me: com copos a mais
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publicado por artesaoocioso às 23:22
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LIGAÇÕES PERIGOSAS?

 

 
Primeiro tivemos a Alta Autoridade Contra a Corrupção. Nasceu calada e morreu muda, toda a investigação foi arquivada. Depois tivemos Cunha Rodrigues, ex-Procurador Geral de República, que passou a História com o merecido cognome de Arquivador Mor, todos os processos sobre corrupção foram arquivados.
Finalmente o processo Casa Pia mudou a Justiça em Portugal com a criação de uma nova figura jurídica, paralela ao segredo de justiça, a fuga de informação!
Foi a partir daqui que se estabeleceu, pela primeira vez em Portugal, uma nova relação da Justiça com a comunicação social.
Ou os órgãos de comunicação possuem redacções nos gabinetes da polícia, dos magistrados e dos juízes, ou estes possuem gabinetes nas redacções dos órgãos da comunicação social. Esta matéria ainda não está suficientemente esclarecida, mas que há bruxas, há.
Não há julgamentos, os processos vão arrastando os pés ao longo de anos, mas ciclicamente, com um calendário próprio, as notícias saltam para a comunicação social.
Seria uma injustiça não referir outra modalidade, eventualmente, (nunca se sabe), mais recente; políticos e outras personalidades influentes, «fabricam» notícias e conspirações que fazem chegar às redacções dos jornais.
O caso “Face Oculta” parece estar para durar e promete mais suspense do que os anteriores: é para maiores, vacinados e recomendam-se cuidados especiais com os cardíacos.  
Não há julgamentos nos tribunais mas há notícias e julgamentos na praça pública. É bom? É mau? É o que temos.
 

sinto-me:

publicado por artesaoocioso às 22:28
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REGRESSOS

 

Terminado o folclore das eleições regressou o país real e regressou também o animal feroz. Logo no primeiro dia, da discussão do programa do governo na Assembleia da República, José Sócrates deixou claro que sua intenção é esticar a corda para provocar eleições antecipadas.
Do país real sabemos que a economia (o PNB) não cresce, que a dívida pública aumenta, que o deficit das contas públicas aumenta, que a deficit da balança comercial aumenta, que o desemprego aumenta, que a pobreza aumenta, que a corrupção aumenta, etc.   
Infelizmente não estou a delirar, é este o país real em que vivemos e o céu vai cair-nos em cima da cabeça.
Com este panorama, Sócrates promete  obras faraónicas que vão engordar as empresas do regime, o casamento entre homossexuais, a continuação da avaliação dos professores e uns pozinhos de aumento em pensões de reforma até aos 1.500 euros.
Quando à forma como vai governar não está muito preocupado. Nós pensamos que vivemos em regime semipresidencial mas é pura ilusão, vivemos em regime de governamentalização da Assembleia da República.
Uma lei (da Assembleia) e um decreto-lei (do governo) têm o mesmo valor jurídico. Pior, qualquer lei da Assembleia depois de promulgada pelo Presidente da República tem de ser referendada pelo primeiro-ministro.
Trocando por miúdos: o governo pode legislar «por cima» e revogar uma lei da Assembleia, ou não a referendar, evitando a sua publicação e a respectiva entra em vigor.
Não sei que foi o autor deste abastardamento do regime mas cheira-me a Bloco Central.
Jorge Lacão, indirectamente, já levantou esta lebre, portanto o governo está preparado para a luta. Com o Parlamento transformado em arena de luta político-partidária os cartoonistas vão ter muita matéria-prima e as anedotas de café também mas o nosso futuro de curto e médio prazo vai ser muito doloroso.
 
 

sinto-me:

publicado por artesaoocioso às 01:23
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Terça-feira, 3 de Novembro de 2009
A FACE OCULTA DA GESTÃO PÚBLICA

 

Manuel José Godinho é o que se pode chamar um empresário empreendedor e de sucesso. Conseguiu fazer fortuna em pouco tempo a arrecadar aquilo que os outros não querem: sucata… e o que estiver por perto.
Nada que possamos levar a mal desde que os donos  da sucata e derivados – empresas públicas ou participadas - não se importem.
 
Aquilo que já foi tornado público sobre o processo “Face Oculta” mostra com vão os negócios privado-público entre nós, ou seja como é realizada a gestão dos negócios do Estado, como o Estado é generoso a transferir património público para mãos privadas.
Também aqui não há nada de novo. Acabaram de ser realizadas eleições autárquicas e os eleitores não tiveram repugnância em eleger inúmeros autarcas de duvidosa reputação.
Parece que todos nós somos condescendentes com os chico-espertos, os oportunistas e outros que tais. Todos achamos normal meter uma cunha ou pedir um favor para que o nosso caso passe à frente dos outros ou vença as morosas barreiras da burocracia nacional. Apreciamos os que sabem governar-se e temos uma cultura de facilitismo e social porreirismo.
Votamos e ficamos à espera que aconteça o milagre de sermos bem governados… pelos políticos em que não acreditamos. Em lugar de exigirmos a prestação de contas e que nos sejam explicadas as decisões dos grandes empreendimentos que são pagos com o nosso dinheiro, batemos palmas nas inaugurações.
Como a esperança é a última a morrer vamos, durante algum tempo, manter a ilusão de que desta vez os tubarões irão a julgamento.
À cautela é melhor esperar sentado para ver.
 
 
P.S.
Armando Vara acabou por suspender as suas funções de administrador do BCP. Não foi uma questão de dignidade foi um empurrão dos accionistas que não querem ter mais um caso do banco às costas.
 

sinto-me:

publicado por artesaoocioso às 23:30
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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
A CRISE JÁ PASSOU?

 

 
EUA fecham nove bancos num dia
 
Diário Económico Mafalda Aguilar  
01/11/09
 

 
 

Os Estados Unidos ainda enfrentam problemas no sector financeiro.

 
As autoridades norte-americanas encerraram na passada sexta-feira nove bancos, naquela que foi a maior operação deste tipo num dia desde que estalou a crise financeira.
Os nove bancos encerrados - California National Bank, Bank USA, Citizens National Bank, Madisonville State Bank, North Houston Bank, Pacific National Bank, Park National Bank, San Diego National Bank e Community Bank of Lemont - pertenciam ao grupo FBOP.
A falência do California National Bank foi a quarta maior no sector em 2009.
Estas instituições foram, entretanto, compradas pelo U.S. Bancorp, que assumiu todos os seus depósitos e activos, avaliados em 19,4 mil milhões de dólares e 15,4 mil milhões de dólares, respectivamente.
Com estes casos, o número de bancos nos Estados Unidos que entraram em falência desde o início do ano sobe para 115, segundo um comunicado emitido sexta-feira pela Federal Deposit Insurance Corp (FDCI).
É preciso recuar a 1992 para encontrar um ano em que se tenha registado um número de falências de bancos norte-americanos tão elevado como em 2009.
No total, os custos com as garantias de depósitos destas entidades falidas para a FDCI totalizam os 27,5 mil milhões de dólares só este ano.
 
 

sinto-me:

publicado por artesaoocioso às 00:19
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UMA FACADINHA DE BRUXELAS

As compras efectuadas com cartões multibanco (débito e crédito) vão passar a pagar uma taxa a fixar pelo vendedor.

Primeiro estranha-se, depois entranha-se e depois a gente habitua-se.

Comprar mais caro, deve ser para ajudar a vencer a crise!

Sem debate nem discussão pública, a UE quer ser uma instituição democrática.


sinto-me:

publicado por artesaoocioso às 00:02
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Sábado, 31 de Outubro de 2009
O INFERNO DE BOSCH E DE DANTE

 

 

 

 

Nel mezzo del cammin

Dante Alighieri

 


INFERNO

                 CANTO I (trecho inicial)


No meio do caminho desta vida
me vi perdido numa selva escura,
solitário, sem sol e sem saída.

Ah, como armar no ar uma figura
desta selva selvagem, dura, forte,
que, só de eu a pensar, me desfigura?

É quase tão amargo como a morte;
mas para expor o bem que encontrei,
outros dados darei da minha sorte.

Não me recordo ao certo como entrei,
tomado de uma sonolência estranha,
quando a vera vereda abandonei.

Sei que cheguei ao pé de uma montanha,
lá onde aquele vale se extinguia,
que me deixara em solidão tamanha,

e vi que o ombro do monte aparecia
vestido já dos raios do planeta
que a toda gente pela estrada guia.

Então a angústia se calou, secreta,
lá no lago do peito onde imergira
a noite que tomou minha alma inquieta;

e como náufrago, depois que aspira
o ar, abraçado à areia, redivivo,
vira-se ao mar e longamente mira,

o meu ânimo, ainda fugitivo,
voltou a contemplar aquele espaço
que nunca ultrapassou um homem vivo.

(...)

                    Tradução: Augusto de Campos

 


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publicado por artesaoocioso às 00:20
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