A CGTP vai realizar o XII congresso onde Américo Carlos será eleito Secretário Geral, em substituição de Carvalho da Silva. Não se trata de uma renovação de dirigentes sindicais: o longo reinado de Carvalho da Silva e dos restantes dirigentes da central, de todas as tendências políticas, é a prova disso.
A saída de cerca de 50% dos actuais dirigente do Conselho Nacional é formal, os que entram garantem a continuidade ou até retrocesso.
Carvalho de Silva é uma personalidade multifacetada e pode ser encarado sob vários prismas. A habilidade com que soube conciliar as tendências dentro da GPTP era a sua garantia de não ser atacado pelo PCP, calculismo político, e por outro lado tinha grande capacidade de negociação, de moderação e de trabalho quase incansável: tudo somado não é pouco e explicam o seu longo consolado.
Carvalho da Silva evoluiu e amadureceu ao longo do seu consulado, mas a
CGTP está na mesma, estagnada em valores «revolucionários» dos anos 30 do século passado – cópia fiel do seu original -: no essencial Carvalho da Silva nunca afrontou e a CGTP assumiu sempre as «guerras» do PCP. Isto é um facto incontroverso.
A eleição de Arménio Carlos, um ortodoxo do Comité Central do PCP, significa o oposto, o fim do consenso e da equidistânia, substituída pela correia de transmição. Em lugar de ser um trunfo para combater a conflitualidade que se avizinha é, pelo contrário, um obstáculo: a CGTP irá ficar mais dogmática e intransigente e... dócil.
Uma derrota para o movimento sindical.
Marginal a esta questão de fundo são alguns tiques velhos de propaganda: a sindicalização anunciada (720.000 sindicalizados) é uma ficção que tem a mesma credibilidade dos números sobre as greves: os delegados ao congresso votam, de braço no ar, os documentos cozinhados pela direcção em exercício, etc. Uma organização anquilozada que não acompanha a evolução do tempo.
Na UE ninguém assume, mas há dois anos que a Grécia é convidade para... ir à vida e deixar a UE em paz. E depois? Será a nossa vez, a vez da Espanha e talvès, até, da Itália.
Liberta dos preguisosos, a UE talvés esteja em condições de pensar na recuperação económica, com eles nunca haverá qualquer recuperação.
O que será feito dos preguisos do Sul? O regresso milenar ao Mediterrâneo e a agricultura árabe.
Porquê é que Isaltino Morais não é preso? Porque não pode ser, e se ele falasse?
Porquê é que os casos BCP, BPP, BPN, Correios de Coimbra, Face Oculta, etc., só para citar os mais recentes não saiem do limbo do Ministério ´Público e dos Tribunais? Porque não podem sair.
Existe alguma elite política que queira suicidar-se? Deixemo-nos de ingenuidades, a corrupção é intocável.

Em Dezembro recebi uma carta da PT Comunicações a informar-me que, Portugal entrou na era da Televisão digital, TDT.
Se eu quisesse aderir a esta maravilha da tecnologia de ponta tinha duas hipóteses:
Comprar os descodificadores TDT
Instalar televisão por subscrição da PT (MEO)
Como não gosto de andar a trás do meu visinho nestas modernices optei pela subscrição da PT-MEO e fui contactado por uma simpática funcionária MEO que me explicou as condições de adesão para: dúzias de canais de televisão, telefone fixo e banda larga móvel, tudo por atacado ou num Kit como se diz agora.
Firmado o acordo solicitei uma cópia do contrato e a minha primeira surpresa foi a funcionária informar-me que não enviavam cópia do mesmo e que o meu «pedido» (primeira subtileza do embuste) tinha o número xxxxx.: posteriormente seria contactado pelos técnicos para efectuarem a instalação da TDT.
Hoje recebi um telefonema da MEO para acordar a data e hora da instalação: nos intervalos da conversa percebi que algo não estava a bater certo.
Perante a minha insistência, foi informado que as condições de adesão tinham sido alteradas e que o preço agora era mais caro.
Alto lá. A PT Comunicações celebrar um contrato comigo – e com milhares de outros clientes – e a altura da entrega do «produto» o preço é mais caro sem que eu tenha sido informado previamente dessa alteração?
O simpático funcionário volta a insistir na alteração das condições: aqui tive que esclarecer duas coisas: primeira, as palavras tem um significado, casa é casa não é barraca, lebre é lebre não é gato e a palavra dada deve ser respeitada: segundo, se o meu merceeiro me pregasse um partida destas, chamava-lhe aldrabão e mudava de merceeiro.
É mais ou menos isto que se está a passar em todo o país, que tem sido noticiado na televisão e a MEO mantem-se calada.
E assim, Portugal entra na era digital... à portuguesa!
A Revolução Francesa fez-se sob a bandeira da Liberdade, Igualdade, Fraternidade. A Liberdade, durante mais de 100 anos andou aos encontrões, até que de depois da 1º. Guerra Mundial começou a consolidar-se: a Igualdade – relativa –, custou muita luta e sangue ao Movimento Operário e Sindical, foi-se impondo progressivamente no final do século XIX nos países escandinavos, Alemanha e Reino Unido e só passou a outros países depois da 2ª Guerra Mundial: o Estado Social é uma conquista histórica do Ocidente, bem como as democracias parlamentares ou presidênciais e, ainda hoje, uma longínqua miragem no resto do mundo: finalmente a Fraternidade não passou de uma doce ilusão.
Estamos a falar de coisas muito sérias que julgávamos «direitos adquiridos» e que estão no alvo da ofensiva dos especuladores financeiros, encobertos nas agências de rating. Afinal toda esta evoluão tem apenas cerca de 150 anos.
Do ataque aos países periféricos, passaram a atacar o centro, a começar pelo euro.
Os regimes democráticos, tal como os concebemos assentam em dois tipos de direitos: os políticos, liberdade de voto, de expressão, de imprensa, de participação, etc. e nos direitos sociais abrangidos nos Códigos do Trabalho e na protecção social. Sem a garantia e a existência real dos segundos, caímos na democracia formal, resvalamos para a democracia «musculada» e todos sabemos onde acaba.
Quem não possui direitos laborais e sociais não consegue exercer direitos políticos, desta contradição resulta a critica fácil dos comunistas: a democracia burguesa é apenas formal.
Mais uma vez, não se trata de teoria: em vários países do sudeste asiático (China, Coreia do Sul, Japão, Índia, Indonésia etc.) em grau diverso existem «democracias musculadas» ou ditaduras.
A reforma da lei laboral, sob o manto roto de Concertação Social, que Passos Coelho acaba de fazer, remete-nos objectivamente para tempo de Salazar nesta matéria: baixos salários, despedimentos à la carte, aumento dos dias de trabalho, diminuição de subsídio de desemprego e outros, são o paraíso para o patronato, que obteve tudo isto sem uma única cedência.
João Proença foi o judas iscariotes da peça e se lhe resta algum pingo de dignidade deverá demitir-se. O seu argumento de que se não assina-se era pior para os trabalhadores não passa de uma falácia cínica.
Ficamos com um país mais instável, mais inseguro e a caminho de se tornar mais pobre: os miríficos objectivos de salvação da economia nacional que justificaram esta ofensiva antidemocrática, em primeiro lugar e, perigosa socialmente, em segundo, lugar irão para o lixo da história.
A ofensiva do capital especulativo é à escala da U.E. e só a unidade dos 27 poderia fazer-lhe frente: fazer recuar os direitos laborais e sociais para a época se Salazar é inútil e gratuito.
Ainda não adquirimos essa percepção, mas os regimes democráticos da U.E. estão a ser debilitados e corroídos e não é a primeira vez.
Tão certo como eu chamar-me João. Sócrates está a viver em Paris, com o filho mais novo, num bairro de luxo, frequentando restaurantes de luxo, rodeado da correspondentes mordomias.
Tudo o que se refere ao seu dia a dia encontra-se na penumbra do sigilo, numa discreta semi-clandestinidade: apenas se sabe que convive com a elite política, principalmente portuguesa.
Sócrates tem direito à reserva da sua vida privada... e tem a obrigação de, na sua declaração de rendimentos, indicar a origem do dinheiro para este estadão.
Ninguém lhe conhece fortuna pessoal... e não foi com os projectos de engenharia, no Fundão, que ganhou o bilhete de ida para Paris.
Contas à parte, a sua admissão na Universidade que frequenta (de reputação e práticas dúvidosas), as faltas às aulas e ao exame do primeiro semestre já são conversa corrente. Também aqui nada de novo, Sócrates apenas pretende decorar o nome de uns filósofos e conhecer, pela rama, alguns conceitos de teoria política, como faz qualquer cabula de qualquer país.
Consta, e parece certo, que fez uma promessa, a qualquer santa, de guardar silêncio durante três anos, coisa difícil para quem gosta tanto de botar discurso.
Nada disto teria qualquer importância, se Sócrates não estivesse a preparar o seu regresso à vida política, em Portugal, antecedido de uma campanha de markting, ao seu estilo.
Vamos ter de gramá-lo nas próximas presidenciais, mais ou menos quanto termina a sua promessa de silêncio.
Tão certo como eu chamar-me João.
Planeta Terra: Vêm aí anos mais quentes ainda, diz NASA |
| AUTOR: REDAÇÃO | LEITORES: 2957 |
| SÁBADO, 21 JANEIRO 2012 14:19 |
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A informação é avançada pela Agência Espacial Norte-americana, que afirma que 2011 ficou entre os anos mais quentes desde há cerca de 130 anos. Para 2012 está previsto novo aquecimento à escala global. Este novo ano poderá trazer ainda mais calor. Um relatório divulgado esta semana pela NASA prevê um aumento de temperatura devido ao fenómeno chamado de ‘El Niño’. |
Por todo o país encontramos estátuas celebrando os «heróis» das Descobertas e realizam-se actividades com o mesmo objectivo: até tivemos a Expo 98... sem marinha mercante nem frota pesqueira.
Em Lisboa, na Praça do Império, não falta o monumento celebrando o mesmo culto.
Disse culto, e é disso que se trata porque a realidade nada tem a ver com crenças.
Durante décadas, o Ensino de Salazar tinha a leitura dos “Lúsiadas” (divisão das orações) como mito e matéria sagrada, espírito da Pátria.
A historiografia moderna libertou-se dessa canga mitológica: nos feitos da Índia há muita coisa para nos envergonharmos.
Apenas vinte e cinco anos depois da descoberta do caminho marítimo para a Índia, no reinado de D. João III, já o «negócio» dava prejuízo e os efeitos no desenvolvimento do país eram quase arrasadores, como notava Gil Vicente.
Ainda hoje precisamos de nos libertar dessa ilusão. O texto que segue é do livro : “História concisa de Portugal”, José Hermano Saraiva, Publicações Europa América.
Hermano Saraiva não é um historiador moderno, logo fora de suspeita.
A consciência épica e as suas metamorfoses
“Os descobrimentos transformaram, o pequeno Portugal numa nação mundial, porque a actividade dos Portugueses passa a ter por teatro o mundo: «Por toda a Terra se ouvem as suas vozes e até nos confins do mundo ressoam as suas palavras» (Damião de Góis). Essa transformação reflectiu-se no plano mental e estético.
A ideia que os espíritos mais cultos faziam do seu país modifica-se completamente. Nos meados do século XV, a imagem que se pode colher, por exemplo, nas páginas de Fernão Lopes é a de um pedaço de terra pobre habitado por gente rija que luta ferozmente para não cair sob o domínio do vizinho poderoso e rico.
Cem anos depois, a imagem é outra: um imenso espaço que vai «das Colunas de Hércules à China e onde, por obra nossa, todos conhecem a lei de Cristo» (Góis). O mais eloquente proclamador desta consciência épica foi Camões, mas, cronologicamente, esteve longe de ser o primeiro.
A obra de Zurara está já carregada de intenção épica, e quando D. Manuel adoptou a esfera armilar como símbolo nacional afirmou o mais enfaticamente que era possível o carácter ecuménico da monarquia portuguesa.
Foi depois de ter passado muitos anos na índia que Camões publicou em Lisboa, em 1572, Os Lusíadas.
Do ponto de vista formal, trata-se de uma epopeia de modelo clássico e portanto de uma imitação ao gosto renascentista. Várias outras epopeias foram publicadas na Europa.
Mas a surpreendente inovação do poema português está em que o tema não é inspirado pela antiguidade, mas pela própria história de Portugal. Os seus heróis não são imaginados, nem são os da Grécia e de Roma: são reais e são portugueses. Em vez de César, falará de Afonso Henriques, em vez de Eneias, cantará Vasco da Gama.
Na verdade, os nossos heróis são superiores a quaisquer outros; Alexandre e Trajano, por exemplo, ficam a perder de vista em comparação com eles. Portanto, «cesse tudo o que a musa antiga canta, que outro valor mais alto se levanta». Esse valor é Portugal.
E depois de ter ouvido o seu poema, o rei concluirá o que «é mais excelente: se ser do mundo rei, se de tal gente». Esse sentido hiperbólico perpassa desde a primeira à última estrofe do longo poema.
O êxito foi imediato e imenso. Os Lusíadas fixam por muito tempo os traços básicos da noção que os Portugueses com cultura literária terão de Portugal. Em nenhum outro livro essa noção se exprime em termos tão lapidares e fascinantes.
Mas em muitos outros escritores se pode surpreender a mesma atitude. Ficaram de fora alguns homens de cultura não clássica (como Fernão Mendes Pinto, autor da Peregrinação, desabusada e de raiz popular, ou Gaspar Correia, autor das Lendas da índia, de cruel sinceridade), mas todos os demais historiadores afinam pelo diapasão épico. E não só os historiadores: é o mesmo sentimento que anima os cientistas quando, como Garcia de Orta, exclamam que se aprende mais com os Portugueses num dia do que com os Romanos em cem anos, ou os gramáticos, que apresentam o idioma português como um novo latim de destino ecuménico, que servirá de instrumento à unificação religiosa do mundo.
«E melhor que ensinemos a Guiné do que sejamos ensinados por Roma», escreve Fernão de Oliveira. Os Portugueses chegam a toda a parte «despregando bandeiras, tomando cidades, sujeitando reinos (?) onde nunca o vitorioso Alexandre nem o afamado Hércules puderam chegar.
Acharam novas estrelas, navegaram mares e climas incógnitos, descobriram a ignorância dos geógrafos antigos. Não há nação na terra conhecida a que tanto se deva como a portugueses» (Amador Arrais).
Esta consciência épica ficará a constituir um dos ingredientes mais duradouros da retórica nacional. O estado de espírito ficou, depois de ter passada a causa que o fez nascer.
A épica póstuma apresenta-se, no século XVII, sob a forma degenerada de fanfarronice. Em numerosos viajantes que passaram pelo nosso país na centúria de Seiscentos encontramos uma nota comum: o espanto pela convicção em que os Portugueses continuam de que são os melhores, os mais valentes, os mais gloriosos homens do mundo. É esse sentimento que alimenta boa parte da literatura de resistência durante o domínio filipino. Num livro publicado em 1631 encontramos este raciocínio: os Espanhóis triunfam sobre todos os outros povoa Ora a história mostra que nós vencemos os Espanhóis. Logo, somos o mais valente povo do mundo. Uma boa caricatura é a que nos fez, por essa mesma altura, Lope de Vega:
Sou el maior
senor que oje el mundo pisa! Sou cifra de quanto es bono, sou grande e de gran poder, sou cetro, corona e trono que terra e mar faz tremer! Sou aquel que ao profundo chega com fama imortal, e finalmente me fundo em que ben sou Portugal, que sou más que todo el mundo!
para que nos pudéssemos continuar a atribuir o primeiro lugar no mundo. Para D. Luís da Cunha, Portugal já não é o império desde o Algarve ao Japão, mas apenas um espinhaço de pedras com uma planície na cauda, habitado por gente que não faz muita diferença dos desgraçados índios do Brasil.
O pessimismo crítico dos estrangeiros é porém apenas a premissa para uma conclusão: a reconstrução do País, que se fará pelo trabalho (segundo os mercantilistas) ou pela cultura (segundo os iluministas).
Mas, do mesmo modo que o espirito épico do século XVI degenerou no fanfarronismo do século XVII, o espirito crítico do século XVIII desemboca no decadentismo que de Herculano passa à geração de 70 e depressa se dissolve no derrotismo niilista da geração seguinte:
«...uma mocidade arrasada e céptica, descrente de si mesma e do País, ignorando a tradição e escarnecendo as instituições, queixando-se de que falta tudo e não tratando de se prover de coisa nenhuma, odiando o solo em que nasceu, a língua que falava, a educação que recebeu, amuada dentro desse ódio estéril como um mocho dentro do seu buraco, e de facto tão alheia à Pátria e ao seu génio como se tivesse sido importada da França, em caixotes, pelo paquete do Havre» (Eça, Notas Contemporâneas).
Aquilo a que chamamos Concertação Social nunca foi representativo dos parceiros sociais e hoje também não é: foi sempre um instrumento de sucessivos governos para «legitimar» as suas políticas, ditas, sociais.
Passos Coelho gaba-se de ter ultrapassado, pela direita, a troika e de ter feito uma reforma histórica na legislação laboral. De facto é histórico o retrocesso em direitos sociais e laborais, que, a partir de agora, muito dificilmente serão revertidos.
É falso que o Código de Trabalho, aprovado há dez anos, seja rígido: até um homem de direita como Bagão Félix reconhece esta realidade.
Passos Coelho ofereceu ao patronato (a palavra empregadores é para lançar a confusão), numa bandeja dourada, uma Carta Branca para mandarem nas empresas a seu bel-prazer ou arbitrariedade, mas também fez uma Carta Branca para aumentar a conflitualidade social: o que acaba de ser perdido é histórico, faz tábua rasa de décadas de lutas.
Passos Coelho – o seu perfil simpático é perigoso – sente as costas quentes
com os ventos neoliberais enfunados pela crise e quando terminar a sua torrente de reformas, Portugal será mais ultraliberal do que o Reino Unido e os EUA e será também mais pobre do que eles.
Portugal já é dos países do Europa com maiores desequilíbrios sociais e esta desnecessária reforma acentuará esta realidade.
Na pele de Passos Coelho, eu não estaria tão eufórico e “histórico”. A partir de agora acabaram-se as desculpas para aumentar o emprego – precário e barato – para as empresas não serem competitivas, para a economia não crescer, para vencermos a crise e para todos sermos felizes: a auto-estrada foi inaugurada, fartai vilanagem, mas, há sempre um maldito mas, que semeia ventos, colhe tempestades.
A crise está instalada na Europa, a extrema direita cresce e o descontentamento alastra.
"Há algo de profundamente errado na maneira como hoje vivemos. Durante trinta anos considerámos ser uma virtude a procura da satisfação material: de facto, essa procura constitui agora o que resta do nosso sentido de finalidade colectiva. Sabemos o preço das coisas, mas não fazemos ideia do que valem. Sobre uma decisão judicial ou um acto legislativo já não perguntamos: é bom? E justo? E correcto? Ajudará a alcançar uma sociedade melhor ou um mundo melhor? Eram estas em geral as perguntas políticas, ainda que não propiciassem respostas simples. Temos novamente de aprender a fazê-las.
A qualidade materialista e egoísta da vida contemporânea não é intrínseca à condição humana. Muito do que hoje parece 'natural' remonta aos anos 80: a obsessão pela criação de riqueza, o culto da privatização e do sector privado, as crescentes disparidades entre ricos e pobres. E sobretudo a retórica que vem a par de tudo isto: admiração acrítica dos mercados sem entraves, desdém pelo sector público, a ilusão do crescimento ilimitado.
Não podemos continuar a viver assim. O pequeno crash de 2008 foi um aviso de que o capitalismo não regulado é o pior inimigo de si mesmo: mais cedo ou mais tarde há-de ser vítima dos seus próprios excessos e para salvar-se recorrerá novamente ao Estado. Mas se nos limitarmos a apanhar os cacos e continuar como dantes, podemos esperar convulsões maiores nos próximos anos.
E porém parecemos incapazes de conceber alternativas. Também isso é novo. Até bastante recentemente, a vida pública nas sociedades liberais conduzia-se à sombra de um debate entre os defensores do 'capitalismo' e os seus críticos, geralmente identificados com alguma forma de 'socialismo'. Nos anos 70 esse debate já tinha perdido muito do seu sentido para ambos os lados; mesmo assim, a distinção 'esquerda-direita' servia uma finalidade útil. Ela fornecia uma estaca para firmar o comentário crítico das questões contemporâneas.
A esquerda, o marxismo atraía gerações de jovens, mais não fosse por oferecer um modo de distanciar-se da condição vigente. O mesmo, quase, era válido para o conservadorismo clássico: uma aversão bem fundamentada à mudança acelerada dava abrigo aos que hesitavam em abandonar rotinas há muito
estabelecidas. Hoje, nem a esquerda nem a direita conseguem achar a sua posição."
“Um tratado sobre os nossos actuais descontentamentos”, Tony Judt, Edições 70
P.S. É muito urgente relançar o debate ideológico e furar o “pensamento único” da globalização made in USA, a ofensiva ideológica do “pensamento único” à mais perigosa do que a globalização económica: «amacia» o terreno para a sua aceitação acrítica.
Decerto nenhuma sociedade pode ser próspera e feliz quando a grande maioria dos seus menbros é pobre e miserável.
O Álvaro, de Economia, tem ar de gaseado e provavelmente é, a avaliar pelas entrevistas que dá. O homem gasta milhares de neurónios a procurar a salvação da economia nacional, que se encontra no recobro há quase 15 anos.
Desta vez acertou, a salvação da nossa economia está na globalização… dos pastéis de Belém ! Por esta via, também podemos globalizar as cavacas das Caldas, os D. Rodrigos do Algarve, o Galo de Barcelos, o licor Beirão etc.
Coisa tão simples e ninguém se tinha lembrado: a nossa salvação está na doçaria conventual. Iremos ser os maiores do mundo – sempre pensámos que éramos – a produzir bolos, compotas e licores.
O gato não vai às filhoses com as alucinações do Álvaro (estou mesmo inspirado na cozinha tradicional ), mas que o primeiro-ministro afine pelo mesmo diapasão e venha, a público, vender a nano tecnologia de Belém já é grave: é um caso de psiquiatria.
Em cada ciclo eleitoral a manjedoura é «renovada». São cerca de 1.700 mamadeiras sem contar com os consultores, assessores, gabinetes de imprensa, directores de marketing e de imagem, etc.
A este número há que juntar cerca de 1.400 a 1.500 frigideiras? nas autarquias, empresas municipais, associações de municípios, etc.
A manjedoura é abastecida pelo Orçamento do Estado e para efectuar o fornecimento das rações – segundo métodos modernos de transferência bancária, cartões de crédito, etc. - é necessário ganhar eleições e formar governo, tarefa altamente especializada dos partidos políticos, diria uma arte!
Isto acontece assim, ou coisa parecida, desde a monarquia constitucional, passando pela I República (Salazar não realizava eleições e abastecia a manjedoura de forma mais discreta e económica): as célebres sátiras de Bordalo Pinheiro são o melhor fundamento desta afirmação.
As promessas eleitorais de só nomear técnicos competentes, sujeitos idóneos e bons chefes de família, têm o mesmo fim de todas as restantes promessas realizadas durante a campanha eleitoral: arquivo nas catacumbas da Torre do Tombo.
Porque motivo Passos Coelho iria ser diferente? Já tínhamos obrigação de ter aprendido.
A agenda política das agências de rating é indisfarçável. Sempre que os dirigentes da U.E. agendam qualquer reunião ou iniciativa para tratar da crise do euro – apesar da sua comprovada incompetência para resolver o problema – as agências de rating antecipam-se e fazem uma razia, sobre os países da zona euro, com os seus misteriosos critérios de avaliação.
Sentem-se tão à-vontade que já puseram de parte o discurso tecnocrático e fazem discursos políticos: “Os dirigentes políticos da U.E. não são capazes…”
Que legitimidade tem as agências de rating para julgarem dirigente políticos eleitos? Isto é uma subversão completa das regras de funcionamento das democracias: é um ataque aos regimes democráticos e não vale a pena esconder este problema.
As mesmas agências que atribuíam AAA aos bancos, que faliram em 2.007 e 2.008, origem da crise financeira internacional em que estamos mergulhados, tem a audácia de continuarem a fazer as suas previsões quiromânticas.
Segundo a lei sagrada do mercado, livre jogo da oferta e da procura, a existência de agências de notação não tem qualquer fundamento, precisamente porque viola aquela lei.
Marginalmente é de assinalar que as avaliações das agências põem em cheque os programas da troika ao impedirem os países signatários de cumprirem os acordos celebrados.
Trata-se de um bando de delinquentes mais perigosos do que os terroristas, que devem ser levados a julgamento rapidamente.
Soldados americanos urinaram sobre os cadáveres de afegãos mortos.
Para perceber melhor, os marines são uma tropa de élite
“Na análise feita aos efeitos ambientais da produção e do consumo de bens por parte das populações deve ter-se presente que cada bem material não desaparece depois do uso.
Cada bem material – do pão à gasolina, do mármore ao plástico – tem a sua «história natural» que começa na natureza, passa pelos processos de produção e de consumo e devolve os materiais, modificados, em forma gasosa, líquida ou sólida, de novo ao ar, ao solo, aos rios e mares.
Além do mais, a capacidade receptiva destes corpos naturais está a diminuir, à medida que aumenta a quantidade de lixo produzida”.
Aumento do consumo, com milhões de novos consumidores na corrida, significa, simultaneamente, que diminuem os recursos utilizáveis e diminui a capacidade receptiva de receber mais lixos.
A alteração do ciclo natureza-produtos-natureza está irremediavelmente em degradação e regressão e parece não ser possível enviar lixos para a Lua ou para outro planeta.
Não é necessário repetir, o homem não é flor que se cheire. Todo o cuidado é pouco com o primata bípede, rédea curta e olho nele.
Com um currículo destes, pensar que o primata pode constituir sociedades secretas... para o bem dos outros só passa pela cabeça de um louco... ou de quem quer tomar os outros por parvos.
Já é tempo de acabar com este alarido e dar ordem de encerramento às lojas.
A partir dos 30 anos, já é possível observar a perda gradual e irremediável de neurónios. A boa notícia é que uma única destas células do sistema nervoso "é capaz de distinguir diferentes sequências de informação, ou seja, tem a capacidade de assegurar funções de outros neurónios", segundo revelou ao jornal «Ciência Hoje», Tiago Branco, investigador português naUniversity College London (UCL), no Reino Unido.
Tiago Branco é pós-doutorado na UCL e foi recentemente distinguido com oPrémio Eppendorf e Ciência para a Neurobiologia 2011 (Eppendorf and Science Prize for Neurobiology), em Washington, pela publicação do trabalho «A linguagem dos dendritos» na «Science».
Nos últimos três anos, o cientista tem "tentado perceber como funciona um neurónio". Sabemos que o cérebro é constituído por milhares deles que processam a informação vinda do exterior, mas a grande questão é: Afinal, como é realizado o processamento desses dados?
Andei por todos os cantos
Redescobrindo horizontes,
Vestindo todos os mantos
Das flores de todos os montes
Mergulhei nos rios mais santos,
Rumo à nascente das fontes
Que lhes dão vida, em quebrantos,
Brotando em líquidas pontes
Perfeitamente tangíveis,
De aparência cristalina,
De arcadas quase invisíveis,
Quase à dimensão divina…
[…fui mãe dos sonhos possíveis
de toda e qualquer menina…]
Maria João Brito de Sousa
Montra da oficina
Cultura
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